segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Teólogos católicos pedem fim do celibato e ordenação de mulheres


Documento assinado por mais de 140 professores exige reforma profunda na Igreja Católica, incluindo fim do celibato, exercício do sacerdócio por homens casados e mulheres e participação de fiéis na escolha de bispos. Essa proposta aproximaria a Igreja Romana do modelo anglicano. Na Igreja Anglicana não existe a exigência do celibato obrigatório para o clero, portanto homens e mulheres, casados(as) ou solteiros(as) são ordenados(as) para o exercício do ministério sacerdotal. No Brasil, desde o Sínodo de 1984, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) ordena mulheres. Atualmente, cerca de 30% do clero é composto por mulheres, as quais ocupam o diaconato e o presbiterado. Nossos bispos são eleitos com a participação do clero e do laicato.

Leia a notícia com tradução de Irene Cacais:

Mais de 140 teólogos católicos da Alemanha, da Áustria e da Suíça assinaram uma declaração solicitando profundas reformas na Igreja Católica, segunda a edição desta sexta-feira (04/02) do jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

No total são 144 professores que lecionam teologia católica em universidades de língua alemã, o que significa cerca de um terço de todos os docentes da área. Eles pleiteiam a abolição do celibato, o exercício do sacerdócio por homens casados e mulheres e uma maior participação dos fiéis no preenchimento de cargos importantes, como os bispos.

Entre as solicitações encontra-se também uma melhora na proteção do Direito, implicando a construção de uma jurisdição administrativa na Igreja.

Os teólogos afirmaram que não querem mais permanecer calados em face da crise pela qual passa a Igreja Católica, resultado dos diversos casos de abuso sexual de crianças e adolescentes relatados em 2010. A declaração lembra que, “como nunca ocorrido antes, no ano passado muitos cristãos deixaram a Igreja Católica”.

Os teólogos querem discutir o futuro da Igreja Católica. “Como professores de teologia não podemos mais nos calar. (…) Temos a responsabilidade de contribuir para um novo começo”.

Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, desde 1989, quando mais de 220 acadêmicos assinaram a Declaração de Colônia, protestando contra a autoridade do papa João Paulo II, não havia um pronunciamento dessa magnitude entre os teólogos católicos alemães.

PP/afp/kna/dpa
Revisão: Alexandre Schossler


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