sábado, 24 de setembro de 2011

Caminhada contra a intolerância religiosa reúne 180 mil pessoas em Copacabana

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Os bahá'ís lembraram mais uma vez sua luta em favor da libertação de seus companheiros no Irã

Em uma demonstração de que é possível a convivência pacífica entre as religiões, milhares de pessoas de diferentes credos estiveram presentes no dia 18 de setembro na 4ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa na Orla de Copacabana, Rio de Janeiro.
De acordo com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), organizadora do evento, cerca de 180 mil pessoas caminharam pela Avenida Atlântica, incluindo judeus, baháís, umbandistas, muçulmanos, candomblecistas, kardecistas, católicos, evangélicos, wiccanos, ciganos, budistas, harekrishnas, seguidores do Santo Daime, maçons, ateus e agnósticos.
A Caminhada - organizada desde 2008 pela CCIR – é fruto do empenho de seguidores do Candomblé e da Umbanda para denunciar o avanço da violência contra os praticantes dessas religiões, especialmente após a ocorrência de atos sequenciais de vandalismo e discriminação religiosa na cidade do Rio de Janeiro e em outras partes do país. Desde então, o evento ganhou o apoio das diversas expressões religiosas presentes no Brasil e tornou-se parte do calendário nacional, sendo realizado anualmente no terceiro domingo do mês de setembro.
O babalorixá Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR, declarou durante a coletiva de imprensa que a aspiração da 4ª Caminhada é unir a sociedade contra a intolerância, mostrar que a diversidade é o maior bem que a sociedade pode ter. Para Ivanir, “a religião não serve para oprimir o indivíduo, mas sim para respeitar a diversidade. Movimentos como este mostram que a intolerância levam ao fascismo e ao nazismo, e quem perde é a sociedade”. Segundo ele, “a manifestação não é religiosa; é um movimento de religiosos que lutam por democracia”.
Representantes das diversas religiões citadas, além da Polícia Civil e do Ministério Público expressaram a importância da ocasião durante a coletiva. “Nós, pessoas do povo, é que colocamos a cara na rua e damos o exemplo daquilo que nossas autoridades deveriam ter o cuidado de fazer, de fazer valer o que está escrito em nossa Constituição Federal1”, destacou a liderança umbandista Fátima Damas, fundadora da CCIR.
Cerca de 300 baháís vindos de diferentes estados brasileiros distribuíram mil coletes amarelos com a frase “Hoje, somos seguidores de todas as religiões”, traduzindo o sentimento compartilhado por seguidores de outras religiões. Durante o discurso de abertura do evento, o interlocutor da CCIR destacou a perseguição contra os baháís no Irã, referindo-se ao “grupo de amarelo” como um dos fortes apoiadores da Caminhada.
Os coletes se misturaram a uma exposição itinerante composta por fotos e informações sobre a perseguição, dando destaque à situação das sete lideranças condenadas em 2010 e aosonze educadores presos recentemente por oferecer aulas de nível superior aos estudantes baháís, que são impedidos de cursar as universidades no Irã. O julgamento desses educadores devem ocorrer a partir desta semana.
“Defensores de toda e qualquer vítima de opressão – esta é a missão que Baháulláh, fundador da religião baháí, incumbiu a seus seguidores, afirmou o representante da comunidade baháí, o carioca Iradj Eghrari. Ele destacou ainda a situação das centenas de baháís presos no Irã e dos mais de 300 baháís executados desde a Revolução Islâmica, pela única e exclusiva razão de professarem uma religião diferente. “Por meio de manifestações como essa é possível alertar a população contra os malefícios da intolerância e expor a beleza da diversidade”, defendeu Iradj.
Sheikh Khaled, representante da comunidade islâmica do Brasil, ressaltou a importância de se “declarar a liberdade de religião e reafirmar os princípios morais de cada uma delas”. Ele reforçou que o Islã não prega o fundamentalismo, mas sim a promoção de uma sociedade mais justa. Disse ainda que “todos os mensageiros vêm com uma mesma missão” e lamentou o fato de que “o fundamentalismo existe” entre os seguidores de todas as religiões.
Para o arcebispo da Arquidiocese do Rio, Dom Assis, representante da comunidade católica, “a presença dessa unidade, embora cada um tenha o seu modo de pensar, mostra concretamente que é possível conviver”.
Sarita Schaffel, representante da comunidade judaica do Rio de Janeiro, ressaltou a importância da participação na caminhada. “Participamos desde a primeira caminhada em 2008, pois através dessa mobilização da sociedade o mundo deve se tornar mais justo e igual”, afirmou.

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