domingo, 7 de agosto de 2011

Professores contratados abandonam escolas por falta de pagamentos

Professores da rede estadual de educação denunciam ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (SINPROESEMMA) que o governo do Estado não paga regularmente os valores referentes aos contratos temporários, em condição especial de trabalho, resultando em grave prejuízo 

aos profissionais de educação e aos alunos.

A condição especial de trabalho consiste na ocupação de vagas na rede de ensino estadual, por professores que já fazem parte da rede e assumem as disciplinas de acordo com suas habilitações, por meio de contrato temporário, com salários em torno de R$ 700,00. O sindicato já recebeu mais de cem denúncias de professores que trabalham nessa condição, tanto na capital como no interior do estado, mas que não estão recebendo o pagamento regularmente, pelos serviços prestados ao Estado.
Segundo o presidente do SINPROESEMMA, Júlio Pinheiro, já existe um movimento de abandono, por parte dos professores, dessa forma de contratação precária, sem garantias trabalhistas e sem pagamento regular. “A desconfiança e a incerteza do trabalhador com relação ao pagamento pelos serviços executados propicia o abandono das atividades, uma situação que prejudica não somente os professores, mas também os alunos, que ficam sem aulas”, enfatiza o presidente.
Um professor de Santa Inês, que se encontra nessa situação e que não quis que sua identidade fosse revelada, por receio de retaliação, afirma que os contratados “de dobra”, como denominam a condição de trabalho, assinaram os contratos há quase quatro meses e até hoje não receberam nenhum pagamento e não sabem sequer o valor do salário. “A gente liga para a Seduc e não dão nenhuma posição sobre o pagamento e nem dizem o valor do salário, que no nosso entendimento deve ser o dobro do que recebemos atualmente, pois estamos trabalhando em dobro”, desaba o professor indignado com o desrespeito do governo com os professores. “Já estamos pensando em parar, pois não é possível trabalhar com essa indefinição”, acrescenta o educador.
Júlio Pinheiro explica que a situação relatada pelos trabalhadores confirma o que o sindicato já vem denunciando há vários anos, pois evidencia a necessidade de 13 mil professores na rede, mas, ao invés de solucionar o problema, o governo do Estado continua adotando como regra esse tipo de contratação precária, que se torna ainda mais grave com a irregularidade no pagamento dos salários dos profissionais.

Nomeação dos excedentes

A solução para minimizar a carência de professores na rede é a nomeação dos trabalhadores excedentes do último concurso do Estado, realizado em 2009. É o que defende o presidente do SINPROESEMMA. “O Estado precisa dizer quando vai convocar os excedentes do último concurso. Ajuizamos ação contra o governo cobrando isso e vamos cobrar novamente uma nova lista de convocação dos concursados para atender as necessidades da rede”, conclui Júlio Pinheiro.

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