sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ministro do Esporte enfrenta pressão da Fifa



Cartolas querem alguém para aproximá-los de Dilma

Depois de iniciar o ano como o ministro mais frágil da equipe de Dilma Rousseff, Orlando Silva Júnior (Esporte) começa a ganhar espaço com a presidente. A aproximação acontece justamente no momento em que ele está sob fogo cerrado da Fifa e do COL (Comitê Organizador Local) da Copa de 2014.

Os dirigentes o enxergam com desconfiança desde a saída de Lula. Mantido por imposição do PC do B, já que, quando assumiu, Dilma tinha apreço por outros nomes para assumir o Ministério do Esporte, Silva Júnior enfrentou um processo de fritura em Brasília e até hoje é visto pelos cartolas como muito distante da presidente. E, por isso, um interlocutor fraco.

Tanto Ricardo Teixeira, presidente do COL e da CBF, como Joseph Blatter, da Fifa, são distantes de Dilma. Precisavam de alguém no governo que fizesse essa aproximação e contavam com o ministro para a tarefa. Como ele não cumpriu a missão, internamente, passou a ser tratado com desdém pelos cartolas, apesar de no discurso oficial eles afirmarem que estão satisfeitos com o papel de Silva Júnior como interlocutor.

Silva Júnior passou a ser considerado mais um receptor das queixas do COL e da Fifa do que um parceiro ativo no projeto Copa do Mundo. Uma demonstração da posição de inferioridade diante dos dirigentes aconteceu na véspera do sorteio das eliminatórias, na última semana, quando Orlando precisou de crachá para subir no andar da Fifa num hotel do Rio e só foi autorizado a levar um de seus assessores. Pessoas próximas ao ministro negam que tenha havido problemas na ocasião e dizem que a comitiva contou com quatro nomes, além de uma equipe de fotografia.

Apesar disso, na saída deste mesmo encontro, que contou com Teixeira e Blatter, Orlando Silva Júnior fez uma revelação que mostra ruídos na comunicação entre todas as partes envolvidas na Copa do Mundo. Segundo relato do ministro, ele próprio informou aos dois interlocutores que o governo federal sabe das limitações dele, mas que está trabalhando para superá-las.

Os cartolas ainda o classificam como um ministro que quase não é recebido pela presidente. Afirmam que ele teria tido só uma audiência com Dilma. Dados da presidência, porém, mostram que já foram dez encontros oficiais com a presidente. O estafe de Silva Júnior acrescenta ainda que os dois mantêm contato constante por telefone, às vezes com mais de uma ligação por dia.

Justamente na semana que antecedeu o sorteio das eliminatórias, o ministro deu mais um passo na direção de Dilma. Ganhou pontos por ser um dos mentores da ideia de o governo nomear Pelé como o embaixador da Copa do Mundo, neste que foi um dos principais lances da queda de braço da presidente com a Fifa. O ex-jogador foi escolhido para fazer propaganda do governo por meio da Copa. E, de quebra, irritar Teixeira, com quem mantém uma relação de amor e ódio.

Antes disso, o ministro também já havia sido designado pela presidente para tratar pessoalmente das discussões em torno da criação do Regime Diferenciado de Concorrências (RDC), uma das ferramentas que serão instituídas para facilitar os trabalhos relacionados ao Mundial.

Graças ao distanciamento entre a presidente e a Fifa, Silva Júnior ganhou fôlego e está perto de superar mais um momento delicado, como quando saiu ileso do escândalo dos cartões de créditos corporativos.

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