quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Fragmentos de Caetano


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O músico Caetano Veloso é tema de uma compilação de artigos que promove um diálogo de sua obra com o pensamento filosóficoEm "Caetano e a Filosofia", acadêmicos das Ciências Humanas se reúnem para situar a obra lítero-musical de Caetano Veloso nos estudos filosóficos
O baiano de Santo Amaro, que já passeia por seus respeitados 40 anos de carreira, é sinônimo de revolução. Para além do valor musical e poético de sua obra, Caetano Veloso é referência de movimentos sociais e contextos políticos importantes da história do País.

Pensando sobre isso, pesquisadores da Sociologia, da Comunicação e sobretudo da Filosofia se reuniram para montar a compilação de trabalhos acadêmicos intitulada "Caetano e a Filosofia". A obra é a segunda publicação dos organizadores que segue essa mesma linha, tendo por livro de estreia "Drummond e a Filosofia".

A escolha de Caetano para uma segunda publicação teve por objetivo associar a filosofia a discussões de elementos próprios ao Brasil. Segundo os organizadores Ronie da Silveira e Sérgio Schaefer, em texto de apresentação no livro, os filósofos brasileiros têm se voltado principalmente aos estudos de história da filosofia, um dado, de certo modo, preocupante.

"Acreditamos que a estratégia de limitar os estudos de filosofia à sua história tem sido usada como desculpa para nosso pouco envolvimento com a cultura brasileira", defendem os pesquisadores, e acrescentam: "A filosofia tende a se consolidar em abstrações cada vez mais rarefeitas e a cultura brasileira tende a se manter distante de uma reflexão que certamente lhe possibilitaria compreender-se melhor".

Na coleção de 11 textos, apresentados por 15 autores, Caetano Veloso é destrinchado. Ora é observado como militante, inserido em movimentos como a Tropicália. Ora é instrumento, prisma ou luneta pela qual se percebe o Brasil. Noutro capítulo, é analisado com base em Platão a fim de refletir sobre o discurso amoroso de sua obra. E noutro, são suas canções os objetos de estudo a pensar sobre o exílio ou sobre as traduções de "Sampa".

O livro, publicado pela editora da Universidade Federal da Bahia, faz justiça ao seu objetivo de elaborar uma filosofia mais política e situada no Brasil. Além disso, a compilação não deixa de fechar um curioso ciclo, analisando aquele que, ainda jovem, nos anos 70, foi também um estudante de filosofia, ali mesmo, na Federal baiana.

MÚSICA E FILOSOFIZ 
"Caetano e a Filosofia"
Sérgio Schaefer e Ronie da Silveira (org.)
260 páginas
Edufba
2010

MAYARA DE ARAÚJOREPÓRTER

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