domingo, 3 de abril de 2011

Uma historinha fictícia, num país inventado e que só vive de eleição


Por: Sérgio Pires


Num país de brincadeira, a eleição tem até tribunais especiais e uma megaestratrura nacional só para isso. Esse país do faz-de-conta vive em função de eleições, porque os poderosos que nele mandam assim decidiram. Daí, sempre nessa terra que não existe, começam as campanhas eleitorais. Primeiro, impondo à população horripilantes programas eleitorais, baseados na conversa fiada, em promessas vãs, em besteirol puro, com raríssimas exceções. Depois, para fingir que tudo é controlado por uma tal Lei Eleitoral, proibi-se comícios, proíbe-se o debate amplo das idéias, porque, nessa terra da ficção, o poder econômico não pode prevalecer. E ai de quem compre voto. O que se vê, contudo, nessa historinha inventada, é políticos eleitos, na maior cara de pau, fazendo exatamente isso: comprando votos. Ouve-se que, na última eleição, num dos estados que compõem esse país de mentirinha, várias pessoas viram candidatos entregando “santinhos” a eleitores, no dia da eleição e bem próximo às mesas de votação. Mas o eleitor não recebia só o santinho. Embaixo dele, bem dobradinho, dizem por aí que vinha um presente especial: uma nota de dinheiro. Em alguns casos, notas diferentes: de 10 reais, outras de 20 e de 50 reais. Alguém foi preso? Alguém foi pego com a boca na botija? Claro que não. Porque, no país criado a partir da ficção, as leis só valem para alguns, não valem para todos.

Se é para inventar um país do faz de conta, que se aprimore a historinha. E se coloque nele tribunais estaduais e um tribunal superior exclusivamente para cuidar das eleições. Na vida real, não há nenhum outro país que tenha isso. E para que serviria toda essa estrutura? Ah, claro, também para, vários meses depois das eleições, a população não saber, com certeza, quem está eleito e quem não está. Ainda bem que é invenção. Ninguém acreditaria se isso existisse mesmo, na vida real.

FRASES

Alguns leitores pediram e, por isso, vão aí mais algumas frases famosas, sobre política, educação, sociedade. A primeira delas é um primor das ditaduras: “a política dos governantes sábios consiste em esvaziar a mente dos homens e encher-lhes o estômago. Um povo que sabe demais é difícil de se governar. Aqueles que julgam promover o bem-estar de uma nação, espalhando nela a instrução, enganam-se e arruínam a nação. Manter o povo na ignorância: eis o caminho da salvação." - Lao-Tsé

ÉTICA, PODER, DIREITO

Mais algumas frases inesquecíveis:
"No Brasil, quem tem ética parece anormal." - Mário Covas

"O poder é como o violino: toma-se com a esquerda e toca-se com a direita." - Espiridião Amin

"Quem pode impedir que o povo queira ser mal governado? É um direito anterior e superior a todas as leis." - Machado de Assis

RICOS, FEIURA E IRONIA

Três presidentes que marcaram suas épocas não poderiam ficar de fora:

"Se a sociedade livre não sabe ou não quer ajudar os muitos que são pobres, acabará não podendo salvar os poucos que são ricos." - John Fitzgerald Kennedy

"Se me virem dançando com uma mulher feia é porque a campanha já começou." - Juscelino Kubitschek

"Senhores, façam uma cara inteligente e depois podem voltar ao normal." - Getúlio Vargas, a seus ministros, na pose para a foto oficial

AMOR E ÓDIO

Lição inesquecível do homem que liderou o fim do aparthaid na África do Sul:

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto". (Nelson Mandela)

EDUCAÇÃO E FUTEBOL

Um defensor intransigente de que o país só vai melhorar pela educação, o senador Cristóvão Buarque resumiu, numa só frase, a diferença do tratamento do país em relação à educação e ao futebol. Leia: “No futebol, o Brasil ficou entre os oito melhores do mundo e todos estão tristes. Na educação, estamos em 85º lugar e ninguém reclama!”

LIÇÃO DE VIDA

O poeta Carlos Drumond de Andrade fez um resumo criativo e de grande profundidade sobre a arte de viver. Vale lembrar suas palavras: “a cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade". (Carlos Drummond de Andrade)

BOMBA, BOMBA

A sensacional entrevista que o grande repórter Roberto Cabrini (SBT), fez com o ex-delegado da Polícia Federal, João Lucena Leal, é daquelas para entrar para a história do jornalismo. Lucena, que está em Rondônia há várias décadas, contou tudo sobre como se torturava e matava, na ditadura militar. O assunto está rendendo e certamente vai render ainda muito tempo na mídia.

ORQUESTRAÇÃO

Enquanto isso, até ontem continuava o impasse em relação às obras das hidrelétricas do Madeira. Uma orquestração, que começou com sindicatos e agora se amplia, está fazendo todo o esforço para que as duas maiores obras do PAC, no país, sejam prejudicadas. O governo federal, pelo menos por enquanto, faz de conta que não é com ele.
AUTOR: SÉRGIO PIRES

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