quarta-feira, 9 de março de 2011

Muito colorido, criatividade e alegria nos desfiles das Escolas de Samba em São Luís

Por Soraya Saldanha,Índice da edição - Edição 23,614 Índice    
Valquiria Ferreira e Núbia Lima

A passarela do Anel Viário foi pequena para o público que se deslocou para ver o desfiles das escolas de samba, na noite do último domingo. A festa marcou o primeiro dia dos blocos afros e das escolas de samba. As agremiações, Túnel do Sacavém, Unidos de Ribamar, Turma da Mangueira, Turma do Quinto e Favela do Samba tiveram uma hora para se apresentarem, na Passarela do Samba, no Anel Viário.
Antes dos desfiles das escolas passaram pela passarela três blocos afros. Às 19h20, o Bloco Afro Garotinhos Beleza fizeram sua apresentação. O grupo faz parte de um projeto social do Bairro da Liberdade, e é composto por crianças a partir dos 6 anos até adolescente de 17 anos. Segundo o presidente do bloco, Jordiman Emmanoel Silva, o “Garotinho Beleza”, 42 anos, esse projeto existe há 18 anos e incentiva às crianças e os adolescentes a se dedicarem mais na escola, em troca disso eles recebem oficinas sobre a cultura afro.
Depois o Bloco Afro Ominará de Cururupu, fez sua apresentação com o tema “Morada dos orixás, ominirá pela preservação da Natureza”, mostrando riquezas de detalhes nas roupas. Por último o Bloco Afro Juremê composto por 80 componentes homenageou Bita de Barão de Guarê, a força de um mestre na terra da feitiçaria.
O desfile das Escolas de Samba teve início por volta das 21h30, com a escola Túnel do Sacavém, do Bairro da Vila Palmeira. Ela teve como tema “A Madre Deus e seus poetas entre festejos e festanças”.
Em uma simples e rápida apresentação a escola apresentou diversas alas com fantasias diferentes como: caboclo de fita, baianas, índios, folião e ainda com os integrantes da Turma de Samba Fuzileiros da Fuzarca. A escola tem como diretor de bateria o Mestre Heider, mestre-sala Jonas Muniz Pereira e Porta-bandeira, Beatriz do Livramento Ferreira.
Confusão – Durante as apresentações dos blocos afros houve um grande tumulto na parte externa da passarela do samba, devido a cambistas venderem pelo valor de R$ 10.00 (dez reais) os ingressos para a arquibancada, estes que são distribuídos gratuitamente pela prefeitura de São Luís. Um dos cambistas que vendia ingressos em frente à bilheteria foi levado para o QG da Func.
O auxiliar de mecânico, Manoel da Vera Cruz Borges, 29 anos, reclamou que chegou cedo à passarela para assistir o desfile das escolas juntamente com mais oito crianças e não havia mais ingressos para serem distribuídos. “É uma falta de vergonha isso, vim com minha família apreciar o carnaval e não consegui adquirir os ingressos, agora tenho que ficar escorado nas grades de ferro para tentar assistir as apresentações”, contou. “Melhor se fosse pago, tudo que é de graça acontece isso, pessoas querendo se aproveitar. É um absurdo esses cambistas venderem o ingresso e a organização da prefeitura não fazer nada”, disse muito revoltada, Dilma Santos Silva, do Bairro Ivar Saldanha.
Da cidade balneária, a Escola de Samba Unidos de Ribamar, fundada, em maio de 2001, trouxe o enredo “Piui! Piui! São Luís a Carajás, no vai e vem do leva e traz” com 1800 componentes, entrou mostrando a viagem que é feita de São Luís a cidade de Carajás no Pará.
Acompanhados pela coreógrafa Patrícia Cavalcante a comissão de frente chegou com os anjos viajantes, seguido da ala paixão de cristo, homenageou o grupo “Grita”, quem ocupou o primeiro carro alegórico foi a terceira idade, que trouxe o trem e sua estação com dois anjos de guarda em cada ponta, exemplificando o bairro ponto de partida da viagem, o Anjo da Guarda. O cheiro da melancia levou a escola até Arari, de Santa Inês a Açailândia, a ala dos pescadores e marisqueiros contemplaram o rio Mearim, e um dos integrantes dessa ala, é Pablo de apenas oito anos, que já desfila a três, e encantou os foliões presentes com o samba na ponta da língua.
A terceira escola de samba a desfilar na Passarela do Samba, Anel Viário, foi a tradicional “Turma do Quinto”, sediada na Rua do Norte, Madre Deus. Marcado para iniciar apresentação a 01h30 a agremiação contou com alguns imprevistos que ocasionou em alguns minutos de atraso. Carros alegóricos da escola de samba “Túnel do Sacavém”, que ficaram no meio da Avenida dos Africanos e que não conseguiram serem liberados a tempo para o desfile, foram os responsáveis pelo atraso da agremiação da Madre Deus.
A chegada na concentração de ritmistas, intérpretes, compositores e diretoria da “Turma do Quinto” teria extrapolado o tempo regulamentar e os cronômetros já registravam 9 minutos de atrasos. A diretoria justificou o motivo do atraso e pediu para os organizadores do concurso zerar a marcação. O que gerou uma grande confusão. “Só pedimos respeito! Tivemos que quebrar um carro que estava preso na avenida para liberar nossa passagem. Só queremos que o a comissão zere os contadores para iniciarmos o desfile”, pediu preocupado, o presidente do Quinto, Alex Sandro Nascimento.
Após momentos de calorosa discussão entre a produção do evento e o Presidente da União das Escolas de Samba, Heráclito Amaral, definiram que ia decidir sobre o tempo do desfile da escola seria o Prefeito João Castelo. “Ficou resolvido a pedido do prefeito. Foi utilizado o bom senso embora o regulamento seja contrariado. O prefeito João Castelo assumiu a responsabilidade de iniciar os contadores e assim a escola desfilar normalmente sem que seja prejudicada”, tranqüilizou.
Cronômetro zerado, a “Turma do Quinto” finalmente iniciou o desfile 01h50 levando carisma e embalando o público que aguardava ansioso. Com o enredo “Maranhão, Praia Grande das Artes”, samba interpretado por Gabriel Melônio – que comemora 32 anos a frente da escola -, Adão Camilo e Ceceu, fez um passei pela história cultural de São Luís e todas as manifestações culturais localizado no reduto das artes, Praia Grande.
As cores Azul, Branco, Preto e Branco das fantasias dos 3mil e 500 componentes se misturavam nas 18 alegorias da escola. “A arte das Meretrizes” da conhecida Rua vinte e oito, “Revivendo a Praia Grande”, “Teatro de Bonecos”, “Artesãos Maranhenses” foram algumas das alas que homenagearam com criatividade e originalidade o cotidiano do local. O carnavalesco Alain Moreira Lima explicou o trabalhado em parceria Sebastião Júnior. “Nós fizemos uma releitura em toda característica do Quinto nos últimos 10 anos. Mudança que só tem a trazer vantagens à escola”, explicou ele.
O bloco tradicional da Madre Deus, “Os Fuzileiros da Fuzarca” que em 2011 completa 75 anos, recebeu mais uma homenagem, desta vez foi tema da bateria nota dez ‘Explosão da TQ’, comandada por Willian Moraes, o Mestre Tchê, que anunciou surpresas com a tradicional paradinha. “A surpresa a gente vai mostrar em contagiar o público”, disse ele.
A “Turma do Quinto” realizou o desfile no tempo permitido, 60 minutos, com normalidade. Único problema foi o quinto carro alegórico, “O Carro do Teatro” que quebrou antes de cruzar a avenida. Situação que criou novo desentendimento entre componentes da TQ e “Favela do Samba” próxima agremiação a desfilar. A Guarda Municipal e membros da Comissão Organizadora ajudaram a conter os ânimos dos foliões e garantiu a normalidade da concentração da escola a ser julgada.
Atraso – Com atraso de uma hora, a “Favela do Samba” entrou na passarela somente ás 03h30 da madrugada de segunda-feira (07). Mas nem mesmo a demora fez com que o público que aguardava nas arquibancadas, camarotes, ou que disputavam espaço no alambrado que dividia a concentração, perdesse a alegria em ver a campeã de 2010. Como foi o caso de Maria da Conceição, do Jardim Tropical, que chegou cedo para pegar um bom lugar na concentração só para torcer por sua escola. “Vim de longe com toda a minha família só para assistir a Favela. Se Deus quiser, vai ser campeã de novo”, comentou confiante.
Com o enredo deste ano “O Boi é Festa”, a “Favela do Samba”, fundada em 1095, no bairro Coheb Sacavém, campeã 13 vezes, homenageou uma dos maiores personagem do folclore brasileiro, como no período junino, e no resto do mundo onde o animal é símbolo de “altivez e virilidade, cultuado e referencionado em rituais Sagrados e Profanos: endeusados ou mutilados”.
A comissão de frente, coreografada por Monique Machado foi um dos momentos que mostraram a presença do boi nos primórdios da civilização lembrando a passagem bíblica de Moisés e o povo hebreu. “A coreografia vai mostrar na avenida, o momento em que Moises após voltar do Monte Sinai vê seu povo adorando o bezerro de ouro.” Os 4 mil componentes se dividiram em 24 alas, seis carros alegóricos que esbanjavam modernidade e perfeição em cada alegoria.
A bateria do Mestre Júlio também separou surpresas. Contando o Ritual dos Deuses com fantasias que lembravam os egípcios emocionou o publico que vibrava a cada ‘paradinha’ acelerando o ritmo do samba e transformando em toadas. As representantes da bateria Rainha Adélia Nascimento e a Madrinha, Keila Lopes levantarem o público e conduziram os ritmistas com muito charme e samba no pé.
O refrão “Meu boi é festa, virou farra, na tourada da olé (olé olé) carnaval me contagia, a dor perde para alegria, favela é show de samba no pé” ecoava na passarela. Após uma hora de desfile, o público aguardava a liberação dos portais agitando bandeiras da escola e clamando a premiação como a campeã, mais uma vez.

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