terça-feira, 23 de novembro de 2010



Ministro da Justiça determina reforço de policiamento nas estradas do RJ

Governador Sérgio Cabral ligou para ministro e fez pedido de reforço.
Estado tem sofrido com ataques de criminosos nas últimas 48 horas

O Ministério da Justiça informou nesta terça-feira (23) que vai reforçar de imediato o contingente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas estradas do Rio de Janeiro. A assessoria de imprensa do MJ informou que o governador do estado, Sérgio Cabral, ligou nesta manhã para o ministro, Luiz Paulo Barreto, e fez o pedido de reforço devido aos ataques criminosos nas últimas 48 horas. De domingo (21) até a noite de segunda-feira (22), nove roubos de motoristas e incêndios em veículos assustaram os moradores do Rio de Janeiro.
Segundo a assessoria, o ministro não definiu o tamanho do "incremento" de policiamento nas estradas federais do Rio de Janeiro, mas que o ministro já determinou o reforço e a PRF deve definir como será feito o aumento das medidas de segurança.
Na segunda-feira (22), o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, havia descartado um pedido de ajuda ao governo federal para conter a onda de crimes do último fim de semana. Na ocasião, Beltrame afirmou que um “pequeno grupo de uma facção criminosa”seria o responsável pela série de arrastões: “Nós não vamos nos desviar deste tipo de conduta. Se não formos em frente com esse projeto, o Rio está sujeito a não conseguir resultados melhores na Segurança Pública”, afirmou.
Operação 'Fecha Quartel'
Após os nove ataques criminosos no Rio e Grande Rio, nas últimas 48 horas, a Polícia Militar anunciou na manhã desta terça-feira que colocará todos homens nas ruas para reforçar o policiamento. Segundo a polícia, folgas vão ser reduzidas e até o ano que vem o governo promete contratar 7 mil novos policiais.
“Hoje os policiais trabalham na operação que chamamos de 'fecha quartel'. Vão todos os policiais para rua”, afirmou o Relações Públicas da PM, coronel Lima Castro, ressaltando ainda que a polícia está fazendo blitzes para apreender materiais incendiários e chegar a suspeitos responsáveis pelos ataques.
“Fizemos várias reuniões e decidimos antecipar as medidas que adotaríamos para o final do ano, diminuindo as escalas, reforçando o nosso policiamento na rua. Vamos ter o Batalhão de Choque operando nas vias especiais, as novas motocicletas para serem distribuídas, sobretudo nos batalhões das regiões metropolitanas”, completou.
Segundo ele, além das implantações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), a polícia vem organizando ações para prender criminosos que fugiram dessas localidades e estão em outras favelas da cidade. “Mas a polícia não pode mais trabalhar sem dados, sem informações, porque é um risco muito grande na comunidade. Estamos fazendo operações cirúrgicas, pontuais, para não colocar pessoas em risco”, disse Lima Castro.
Operação em mais de 20 favelas
Com o efetivo de pelo menos 13 batalhões, a Polícia Militar realiza nesta terça-feira operações em mais de 20 favelas cariocas para reprimir ataques a motoristas registrados nos últimos dias, além de policiamento ostensivo nas ruas, segundo informou o coronel Marcus Jardim, comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), que coordena as ações em uma base montada no 22º BPM (Maré), próximo à Linha Vermelha.
Até o fim de dezembro, de acordo com a polícia, mais 250 motocicletas vão circular pela cidade. Na segunda-feira (22), 140 veículos foram distribuídos para os batalhões: “Irão intensificar o policiamento nestas áreas que estão sendo alvo desses criminosos”, disse o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte.
Os primeiros ataques começaram há quase dois meses. No início, as autoridades chegaram a negar a possibilidade dos crimes para não amedrontar a população. Em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no fim de setembro, foram três carros roubados e um homem feito refém.
Diante dos ataques, a PM passou a usar, desde o dia 8 de setembro, um helicóptero para ajudar no patrulhamento. Além disso, 19 batalhões tiveram mudanças de comandante. Ainda em setembro, um ataque acabou com um motorista baleado. Mais uma vez foi anunciado reforço no policiamento.
Cronologia
No domingo, criminosos atearam fogo em dois carros na Linha Vermelha, depois de assaltar os motoristas. Um carro da aeronáutica foi metralhado na ação. À noite, na Via Dutra, na altura da Pavuna, dois carros foram roubados e uma vítima foi baleada; houve ainda arrastões em Laranjeiras e na Lagoa, na Zona Sul.
Na segunda-feira (22), motoristas de dois carros e uma van tiveram seus veículos incendiados no Trevo das Margaridas, em Irajá. Próximo dali, na Rua Monsenhor Félix, no mesmo bairro, uma cabine da PM foi baleada. Ninguém ficou ferido.
À noite, suspeitos atiraram contra policiais na Avenida Dom Hélder Câmara, em Del Castilho, no subúrbio, atingindo a cabine da PM e um carro que estava estacionado perto. Também no subúrbio, na Via Dutra, dois carros foram queimados na altura da Pavuna, próximo ao local do episódio de domingo, e outros dois veículos foram roubados. Na Zona Norte, outros dois carros foram incendiados, um no Estácio e outro na Tijuca.
Na manhã desta terça-feira (23), mais um carro apareceu queimado, desta vez na Praça da Bandeira, na Zona Norte. Segundo policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira), o proprietário contou que encontrou o carro pegando fogo e acredita que tenha sido um ataque. Peritos vão ao local para verificar o que ocorreu.

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